"É ATRAVÉS DA VIA EMOCIONAL QUE A CRIANÇA APREENDE O MUNDO EXTERIOR, E SE CONSTRÓI ENQUANTO PESSOA" João dos Santos

domingo, 1 de Janeiro de 2012

Adolescência em família.



 É comum que, durante a etapa da adolescência, surjam mudanças significativas nas relações familiares. 
Em muitos casos, essas mudanças fazem-se acompanhar de um aumento de conflitos entre pais e filhos.

É sabido que a adolescência é uma fase de grande intensidade emocional, na qual a identidade se vai, progressivamente, consolidando. 

Uma das primeiras manifestações deste processo é a necessidade, por parte do adolescente, de se “afastar” da sua família de origem e envolver-se, de forma mais profunda, com o seu grupo de pares. O “afastamento” do jovem é muitas vezes sentido, por parte dos pais, como “rebeldia sem motivos aparentes”. Os pais poderão sentir-se particularmente lesados quando julgam que criaram uma boa base relacional, de confiança, que não deveria “provocar” este tipo de comportamento da parte do/a seu/sua filho/a.

No entanto, a adolescência traz consigo a necessidade de questionar, de descobrir, de redireccionar. 
Passa a haver a necessidade de rever as regras, os valores e até as crenças familiares.  
Um/a filho/a mais instável e irritado/a pode tão somente estar a manifestar, à sua maneira, a necessidade de diferenciação das figuras parentais, em busca da sua própria identidade.
É comum os jovens manifestarem ataques de raiva, isolarem-se em quartos fechados, buscarem apoio nos avós ou começarem a apresentar comportamentos desafiadores ou de risco.

Os adolescentes desafiam o sistema familiar porque essa é a natureza do desenvolvimento
A resposta de que necessitam, por parte dos pais/cuidadores deverá, no entanto, ser promotora do reequilíbrio emocional. 
O adolescente ainda não é adulto, pelo que necessita de contar ainda com uma família que lhe garanta as necessidades de afecto, de segurança e de estrutura. 
A clareza das regras e limites é essencial para assegurar estes 3 grandes pilares da vida do adolescente.

No entanto, torna-se necessário apostar num aumento da flexibilidade das fronteiras e na forma de expressar a autoridade dos pais/cuidadores, de forma a manter a harmonia familiar. 
Famílias com fronteiras mais flexíveis permitem que o adolescente se vá experimentando em diferentes territórios, aproximando-se quando se sente inseguro e afastando-se quando necessita de testar a sua independência.

Para garantir a solidez das relações intra-familiares, neste contexto, são necessários esforços de todos os membros da família, até encontrar novos padrões de convivência, adaptados a esta etapa do ciclo vital.

É natural que, havendo mais irmãos na mesma fase adolescente, se sintam algumas oscilações ao nível dos afectos, da solidariedade, da rivalidade e da hostilidade. 
As experiências partilhadas entre irmãos são consideradas as primeiras e mais intensas entre pares. Ao contrário da relação com os pais, espera-se que exista um nível hierárquico similar entre os irmãos. Num grupo de iguais, os irmãos aprendem a dividir o espaço e as regras familiares, que são a base das suas futuras relações.
 Quando os irmãos adolescentes se prestam a aceitar as transformações inerentes à etapa que estão a passar, a relação entre eles vai assumindo características cada vez mais positivas e menos conflituosas.

A mais-valia da terapia familiar, neste contexto, é possibilitar que os conflitos e as dificuldades sentidas com a transição para a vida adulta (quer por parte dos pais/cuidadores quer por parte dos/as filhos/as), se vão diluindo, à medida que se fortalece a comunicação, o crescimento pessoal e se redefine um modo de estar em família que seja capacitador e potenciador de soluções. 


Por Dora Rebelo, Terapeuta Familiar

Sem comentários:

Enviar um comentário